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Experiencias Marcantes

A experiência está na caminhada

outubro2

Sempre gostei da Pixar, não só pela qualidade dos filmes que fazem, mas principalmente pela experiência que produziram na minha vida e na dos meus filhos.  São sem dúvida uma referência em vários sentidos para mim.  O vídeo abaixo, intitulado: “From Screen to Shelf” possui coisas muito, mas muito, interessantes e que podemos utilizar para melhorar a “User Experince” de nossos clientes, equipes e/ou alunos. Confira o vídeo em HD se possível. Muitas vezes pensamos que o que mais importa são os resultados, mas a caminhada até nosso alvo, o trajeto até nosso objetivo, é o que nos faz melhores.

  1. Confira as “figuras” que trabalham juntas, perfis completamente diferentes, todos focados no mesmo objetivo. Latinos, orientais, anglo-saxões, e gente completamente diferente (como o Ben Butcher, cheio de piercings) fazem uma mistura que deve tornar a caminhada muito interessante;
  2. Só de olhar para as paredes da sala… dá vontade de trabalhar lá. Que ambiente sensacional, e que incentiva a criatividade, principalmente se a caminhada é longa;
  3. A importância que dão a “Storytelling“, chegando ao ponto de querer incluí-la nos brinquedos;
  4. O cuidado com ter processos bem definidos, mesmo para atividades altamente criativas. Primeiro “brainstorming“, que se transforma em “concept sketches“, depois “control drawings“, emcima deles “overlay“, passando depois para o “sculpting“, “deco“, e finalmente “testing” onde o John Lasseter faz questão de testar cada brinquedo.
  5. O envolvimento da alta chefia, no caso o Lasseter”, na jogabilidade dos brinquedos… ou seja, tornar-se o cliente.  Gostei da frase que no final do vídeo o George McClements fala: “você quer produzir algo que no final lhe dé muito orgulho“.

Todo este cuidado na experiência que os funcionários têm em produzir um brinquedo, na caminhada que está sendo trilhada me lembrou da frase que o Ted Booth, da Smart Design, falou numa entrevista:

Ter uma boa idéia é apenas o começo. É a transformação da idéia numa coisa real e que funcione que está a verdadeira e excitante experiência. Fazer com que uma idéia tenha vida, se transforme em algo que faça sentido, e depois colocá-la no mercado e que se conecte com pessoas de uma maneira realmente significativa – isso sim vale a pena.

Para pensar:

  • Você está fazendo a caminhada da sua equipe algo que realmente vale à pena, ou é apenas “trabalho” para eles?
  • Como o ambiente físico e emocional onde você trabalha está tornando a caminhada mais criativa e prazerosa?
  • As diferenças pessoais da sua equipe contribuem para sua caminhada ou são na verdade motivo de problema?
  • Você está produzindo algo que realmente lhe dá muito orgulho? ou apenas “trabalha”?

Para terminar, somente um pequeno detalhe que acredito muitos não viram. Numa das portas tem um logotipo do “Cars 2“…e escrito War Room embaixo!!! Não percebeu? Então confira logo abaixo.

Os princípios da criatividade na Pixar

janeiro23

Na edição de fevereiro de 2009 da revista “Animation Magazine” foi publicada uma reportagem sobre os 7 princípios da criatividade que John Lasseter aplica dentro da Pixar e está introduzindo na Disney. Vou compartilhar somente três destes princípios que com certeza se aplicam a preparação de apresentações, aulas ou ao desenvolvimento de software. Recomendo a leitura do artigo.

  1. Nunca trabalhe com apenas uma idéia. Lasseter salienta que trabalhar com apenas uma idéia já limita nosso pensamente e impõe barreiras a criatividade, impedindo que as melhores idéias venham a tona, seja na realização de um filme, no design de uma cadeira, nas idéias para uma aula ou palestra, etc. Apresente sempre 3 idéias tão criativas que seja praticamente impossível decidir entre elas. Chame sua equipe e discutam até decidir qual delas implementar.
  2. Qualidade é o melhor plano de negócios. Ponto. Esta é uma regra crucial, nunca comprometa a qualidade, independente das limitações de tempo, recursos ou dinheiro. Se no meio do processo você teve uma idéia melhor, e implementa-la significa começar do zero, então faça-o (alias, foi isto que fizeram com Toy Story 2 e até hoje é uma das poucas continuações que foram melhores que a primeira). Preze ao máximo a qualidade.
  3. Cerque-se de pessoas criativas em quem confia. Coloque na sua equipe somente aquelas pessoas que você considera tão talentosos como você. A maioria dos executivos ou líderes organizacionais age justamente ao contrario, motivados pelo medo, colocam pessoas do estilo “sim senhor”, ou seja, aqueles que não representam uma “ameaça”. Não tem coisa mais absurda. Quando mais você anda com pessoas criativas ou talentosas, mais você aprende, melhora e se destaca.

Tenho experimentado o sucesso destas regras. Na faculdade onde trabalho, tenho me cercado dos melhores professores (ou aqueles que têm potencial para sê-lo)…os desafio sempre a buscar a qualidade das aulas, dos seus materiais, etc. São pessoas criativas que constantemente estão trazendo varias idéias e com as quais tenho aprendido muito. O resultado: reconhecimento público. Não preciso fazer muito, se tenho os melhores professores sob minha liderança, automaticamente sou o melhor coordenador de curso.

Aproveite e reveja seu trabalho (sejam software, palestras, serviços, etc) e procure novas idéias de como faze-lo melhor… apresente para você mesmo pelo menos 3 maneiras diferentes de fazer o que você faz. Busque implementar a melhor destas idéias com o mais elevado padrão de qualidade. Reveja sua equipe, seus colaboradores… são pessoas criativas? Você esta incentivando a criatividade neles? Você os considera tão bons quanto você? Você lhes dá liberdade para serem melhores ou se expressar?

Seja você um exemplo disto na vida dos outros. Viva por estes princípios.

Se o problema não é seu… adeus!

janeiro23

Estava descansando na praia pela manhã, quando ouvi a seguinte frase da minha vizinha: “Hoje acordei de mau humor, ninguém fale comigo”. Após rir um pouco passei a refletir a respeito, e ver como muitas vezes nós (e muitas empresas) temos a mesma postura, isto é: transferir a responsabilidade de lidar com nossos problemas para os demais.

O problema deixa de ser o meu mau humor e passa a ser dos outros que terão que me suportar. O problema deixar de ser a minha responsabilidade de fazer um software fácil de usar e passa a ser dos outros que terão que aprender a lidar com meu sistema. O problema deixa de ser minha responsabilidade de estudar e preparar para uma avaliação e passa a ser do professor que “me deu” uma nota baixa. O problema deixa de ser meu dever de preparar um bom material didático para sala de aula ou apresentação e passa a ser do aluno ou ouvintes que tem que se virar com os materiais e/ou explicações nada adequados. O problema deixa de ser o adequado atendimento que a empresa tem que dar aos clientes e passa a ser deles que tem que se adequar as filas e mau atendimento. O problema deixa de ser o privilegio de fazer um produto que atenda as necessidades do usuário e passa a ser deles que tem que atender as necessidades financeiras da empresa.

Mas, Graças a Deus, isto está mudando! Daniel H. Pink nos dá uma excelente explicação do porque no seu livro “A Whole New Mind” (O Cérebro do Futuro): Abundância. Vivemos a era da abundância, onde todo tipo de bens e serviços estão sendo oferecidos em grande quantidade.

  • Existem centenas de universidades surgindo nos pais; todas ávidas para alcançar seus alunos,
  • Pela internet seus clientes (ou ex-clientes) têm acesso a sistemas que fazem o mesmo que o seu,
  • Cada dia mais mestrandos e doutores oferecem seus currículos para dar aula dos mesmos conteúdos que você;
  • O mercado recebe diariamente centenas de alunos universitários que podem ocupar a mesma vaga que você;
  • Não faltam empresas que ofereçam os mesmos serviços que o seu… e sem filas, ou com melhor atendimento ou ainda pela internet e muito mais rápido;
  • A televisão, os traficantes ou os “espertinhos(as)” se oferecem para cuidar e dedicar o mesmo tempo a até mais tempo para os seus filhos ou esposo(a).

Por isso, hoje em dia não basta fazer bem feito… você tem que ser o melhor no que você faz, ser o melhor pai, o melhor profissional, o melhor palestrante, o melhor aluno, o melhor professor, a melhor empresa, o melhor software, o melhor serviço. Isto me fez lembrar de excelente livro do Seth Godin, The Dip, onde ele fala que o mercado de hoje é para aqueles que são os melhores no que fazem! Leitura imperdível…

Aceite que o problema é seu, e seja o melhor alternativa para resolve-lo! Seja notável, seja marcante, seja nota 10, seja o melhor!

Ou senão… ADEUS !!

Regra dos terços em Storytelling

janeiro9

Um dos grandes diferenciais dos novos comunicadores hoje é saber fazer bom uso de historias nas apresentações (storytelling), o que aumenta significativamente a atenção da platéia e a retenção da informação.  O que poucas pessoas sabem é que em storytelling também existe uma regra dos terços (Rule of Third), como a usada na fotografia.

Na fotografia a regra dos terços é utilizada para se obter melhores resultados. Nesta técnica toda fotografia deve ser dividida em terços (horizontais e verticais) criando assim 9 áreas divididas por duas linhas horizontais e duas verticais. Ela indica que as partes mais importantes da foto (o foco) devem ser colocados nos pontos de cruzamento das linhas ou nas linhas; nunca no meio. Veja a figura ao lado para entender melhor.

A regra dos terços na narração de historias.

Na arte de contar historias aplica-se o mesmo princípio. Na grande maioria de historias o número de personagens é três. Embora não notemos isto,  temos este padrão em mais da metade dos casos, desde as historias sérias até as apenas engraçadas. Alguns exemplos que consigo lembrar:

  • Na parábola do Bom Samaritano na Bíblia, são três personagens que passam pelo homem que foi atacado por salteadores (o sacerdote, o levita e o samaritano);
  • Na cruz do Calvário temos três personagens: dois ladrões e Jesus;
  • Em Cinderela, no momento de maior climax o príncipe coloca o sapato de cristal em três moças (Drizela, Anastácia e Cinderela)
  • O lobo mau procura devorar os três porquinhos, um a um;
  • Muitas piadas tem três personagens. (no Brasil geralmente: um americano, um alemão e um português)
  • Em Star Wars temos três personagens principais: a Princesa Leia, Han Solo e Luke Skywalker ;
  • Três também no filme Matrix: Morpheus, Trinity e Neo
  • No engraçado Shrek, são três os aventureiros:  o burro, o gato e o próprio Shrek,
  • Em Carros da Pixar a grade corrida final se da entre três personagens: O Rei, Trovão e Relâmpago McQueen.  Igualmente na cidade de Radiator Springs, são três personagens os principais: Sally, Mate e Relâmpago.

Estes são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos. Nas historias corporativas ou empresarias este padrão é muito comum também.

A importância da regra dos terços.

Toda história tem um objetivo bem claro: persuadir as pessoas de uma verdade ou destacar a relevância de um ponto de vista. A regra dos terços coopera com este objetivo atraindo sempre a importância para um dos três personagens, geralmente o terceiro. Para isto existem duas alternativas:

  1. Estabelecendo um padrão de alto contraste: Os dois primeiros personagens estabelecem um padrão de comportamento, de pensamento ou ponto de vista. Assim, quando o terceiro é apresentado, qualquer diferença receberá maior destaque (alto contraste), seja positiva ou negativamente:
    - dois ladrões e… um inocente na cruz,
    - dois egoístas e… o bom samaritano,
    - duas irmãs más onde não sapato não serve e… a meiga Cinderela que calça o sapato,
    - um americano e um alemão que fazem o certo e… o português que faz bobagem,
    - duas casas instáveis (palha e madeira) e… uma casa forte feita de tijolos,
    - etc…
  2. Como base para o argumento relevante: Usa-se dois personagens como base sólida para demonstrar que o comportamento ou ponto de vista do terceiro personagem (mais importante)  está correto.
    - Neo e Trinity demonstram tamanha convicção pela sua causa que a coisa certa para Neo fazer é aderir a luta,
    - O Burro e o Gato acreditam tanto no potencial e missão de Shrek que a coisa certa para ele fazer é passar a acreditar também,
    - A luta de Luke Skywalker contra o império só pode ser a coisa certa para se fazer pois tanto Han Solo quanto Leia fazem parte dela,
    -etc

Os novos comunicadores como Seth Godin, Malcom Gladwell, Sir Ken Robinson, Guy Kawasaky, Marco Montemano, etc.. usam muito esta regra nas suas apresentações. Assim, aprenda a usar a regra dos terços. Crie um padrão contando duas situações negativas e depois apresente a sua alternativa para destacar as sua; ou conte dois cases de sucesso de outras áreas e depois apresente a sua ideia que seguirá o mesmo principio.


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